Repelente de mosquito caseiro

Aí, outro dia, o Seu Sebastião, encanador, me disse que capim-limão
funciona que é uma beleza.

Fiquei super curiosa. Imagina, essa gramínea, ao natural, perfumando a
casa e ainda por cima espantando os mosquitos. Coisa muito da luxuosa.

E saí a fazer.

Um maço generoso de capim-limão lavado, seco com ou pano de prato. Papel toalha não, pra não gastar mais do que se deve. O capim pode ser picado grosseiramente. Aconselho a não desperdiçar o talo branco, que fica junto às raízes, porque o óleo essencial é bem mais abundante ali.

Colocar as folhas em um vaporizador, completar com álcool e esperar a
solução tomar uma cor. Isso leva uns dois dias, e depois é só jogar por aí.

E, olha, vale a pena.

Se os mosquitos se espantaram eu não sei ainda, mas eu adorei. O
cheirinho me lembra coisas boas: família, infância…

Pode experimentar.

No meio do jardim, havia uma pedra

Usar pedras no jardim. Quanto maiores, melhor. É uma forma de dar peso,
consistência, mostrar que aquele jardim sempre esteve ali. Que pertence
àquele espaço.

É um acabamento perfeito. Quanto mais irregulares, pontiagudas e
quebradas, melhor.

Mas temos que ter o cuidado de não comprar pedras retiradas de rios,
áreas sem autorização do Ibama. Este cuidado também serve para terra
preta, areia, barro, plantas. Porque se existe uma primeira lição na cartilha
de um paisagista é que não se pode fazer jardim em um lugar a partir da
destruição de outro.

A melhor forma de conseguir pedras é em terrenos que precisaram
ser “cortados” e terraplanados antes de uma construção autorizada. Ou
seja: tudo nos conformes.

O resultado é surpreendente.

Jardins à beira da praia

Sempre me pergunto como os jardins à beira mar poderiam ficar mais
saudáveis. Afinal, quem faz jardins no Rio de Janeiro, precisa sempre estar de olho nisso.

Mas o que faz da praia um lugar delicioso para qualquer férias – sol forte,
vento forte, maresia – é o terror das espécies mais frágeis de plantas.

Em alguns lugares bem áridos do planeta, é possível conseguir resultados
maravilhosos com uma coisa muito simples. Água.

Quando as plantas estão bem hidratadas, as folhas ficam mais espessas
porque conseguem armazenar água. Então preparadas para suportar
melhor o calor e a desidratação causada pelo vento e sol forte.

Em Long Beach, na California, o clima é bem assim, e eles conseguem
manter jardins lindos, exuberantes. Isso porque não existe área verde,
particular ou pública, sem irrigação automática.

Então: como manter seu jardim à beira mar saudável? A conclusão é
simples. Regando sempre e borrifando as folhas com água.

Começa a vindima em Bento Gonçalves

Sou suspeita, parcial, coruja… Sei e admito.

Mas Bento fica tão linda nesta época: árvores perfumam a cidade toda, um aroma suave, tão leve que vai junto com você na memória, sem precisar nem esforçar pra isso.

Jacarandás e pessoas alegre pelas ruas, aproveitando os poucos meses de calor. Flores de alcachofra nos jardins e outras pessoas satisfeitas, colhendo o que deu trabalho o ano todo: as uvas.

Na foto, o Seu Butelli, que não me deixa mentir.

Quando você passear pelos Caminhos de Pedra e vir as plantações de uva, pêssego, ameixa, mirtilo, reparar naquelas pessoas cuidadosas, simpáticas e trabalhadoras, vai entender.

Além, é claro, de participar de jantares harmonizados, cursos e prática de degustação de vinhos que os hotéis e restaurantes promovem.

Eu já comprei a minha passagem. Vamos?

Pra levar na bolsa

“A Vida é Bela”, de Dominique Glocheux é mais que um livrinho do bem, com frases interessantes. É surpreendente, olha só:

As asinhas são metálicas, quase dá pra ver o nosso reflexo na capa.

Plante flores em casa. Plante uma árvore a cada acontecimento importante:uma frutífera para um aniversário, uma palmeira para um nascimento.

Dê mais beijos, carícias, cócegas. Sem motivo especial.

Se você fosse morrer amanhã, o que faria em seus últimos instantes? Faça isto em 48 horas.

É aquele livro para levar na bolsa e deixar que ele nos devolva a leveza,
tranqüilidade, diversão. Da editora Sextante.

Congea tormentosa em plena floração

Importante: antes de plantar esta maravilha, reserve um apoio generoso, como um telhado ou uma pérgula. É só o que ela precisa.

Depois disso, pode se preparar para encher os olhos durante o mês inteiro (sim, a floração é durável) com esta onda rosada de flores no inverno.

Divirta-se.

Uma cidade rara e nada banal

Costumo dizer aos amigos que se o Rio tivesse uma atração turística, só uma, já seria uma cidade maravilhosa. “Apenas” a Enseada de Botafogo, calma, barquinhos parados, as montanhas abraçando… É mais que suficiente.

Quando levo turistas até o Pão de Açúcar, fico magnetizada. Mais boquiaberta que eles, sempre!

Depois o percurso pela cidade, Urca, Cristo, Lagoa, Dois Irmãos, o Aterro (ou Parque) do Flamengo. A primeira vez que estive no Rio foi para a formatura do Gil, namorado na época, marido hoje. Cheguei pelo Galeão e fomos para o Leme pelo aterro. Foi um caminho fascinante.

Era verão, dezembro, àquela hora no fim da tarde em que as sombras fortes vão embora e só fica a luz. O verde claro da grama, os grupos de palmeiras, as massas de árvores iguais, envolventes. Foi nesse passeio que comecei a me tornar paisagista.

Dá ou não dá vontade de bater palmas?

No livro “Flores Raras e Banalíssimas”, Carmen L. Oliveira descreve o nascimento do Aterro de forma encantadora, falando de Lota de Macedo Soares, uma mulher admirável que reuniu e comandou a equipe de estrelas para concretizar seu sonho. Gente como o Roberto Burle Marx, Augusto Reidy e Esthel Medeiros.

Foi ela quem pediu ao Governador da época para fazer da área do aterro um parque, com árvores e áreas de lazer para todas as idades.

Não sei se o carioca nascido na cidade (porque existem cariocas de fora, como eu) sabe disso, mas a grama daqui é mais verde. Não é clichê, não, ela realmente é menos cinza do que a das outras cidades. As árvores também, têm folhas maiores, e em mais quantidade também.

Falando em coisas cariocas, olha que coincidência. O Globo publicou hoje uma matéria sobre o Bruno Barreto na capa do Segundo Caderno e lá em um dos últimos parágrafos anuncia que o cineasta está trabalhando em um filme baseado no livro. Boa notícia.

Iris germanica

A época de floração da Iris é sempre surpreendente. Branca, roxa, amarela… tanto faz.

antes...

... e depois!

Efêmera, dura um dia apenas, mas na semana seguinte repete a floração. E na seguinte, e na seguinte….

E as Iris da cidade inteira seguem o mesmo ritmo. Na floração ela mostra seus segredos: pela manhã  mais parece um balãozinho de São João, e conforme o dia vai aquecendo suas pétalas abrem em flor.

Elas ficam muito bem em formação reta, bem desenhada, e favorecem jardins comportados e limpos – além de serem fáceis de manter e cuidar.


Não posso negar que as Iris têm sido minhas preferidas quando quero um efeito uniforme. Fica lindo.

Inverno – Esta é a hora!

Aproveite o inverno, quando as plantas estão com o metabolismo mais baixo, para dar uma geral.

Não importa o tamanho do seu jardim, esta época do ano é o melhor momento para adubação, limpeza e controle fitossanitário.

Comece dando uma olhada no nível da terra, principalmente em vasos e jardineiras. Se necessário complete com substrato.

Hoje existem no mercado substratos livres de pragas e sementes indesejáveis e específicos para cada situação. Acrescente um pouco de adubo orgânico (farinha de osso, torta de mamona) ao substrato e complete o nível, sempre misturando ao substrato antigo.

Inspecione as plantas com regularidade à procura de pragas e doenças. Elimine-as com uma esponja e sabão neutro e enxágue bem as folhas com água. Assim, terá menos necessidade de usar produtos químicos no futuro.

Um segredo para plantinhas saudáveis dentro de casa: borrifar água nas folhas. Se acrescentar adubo foliar orgânico à esta água então, maravilha!

Lembre-se sempre que água, luz e alimento (adubo) é só o que suas plantas pedem. Em troca, retribuirão com folhas vistosas e, se você der sorte, uma florada maravilhosa.

Arquitetura cada vez mais verde

No início do mês, a FARM abriu mais uma loja em São Paulo, chamada “Farm Harmonia”. O nome vem da rua onde ela fica, a Rua Harmonia – mas tem tudo a ver com o projeto de paisagismo.

Todas as paredes externas são vivas e, de tempos em tempos, o sistema de irrigação envolve a casa em uma nuvem de vapor. E o mais interessante é que a água é toda aproveitada da chuva.

Olha como funciona. Essas foto são do blog da Farm

Como as plantas absorvem o barulho das ruas e mantém as paredes protegidas do sol, tem-se conforto acústico e economia de energia.

O blog da FARM tem uma seção dedicada ao projeto, e é de lá que vêm as fotos.

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Outro projeto inspirador fica aqui no Rio, dentro do Jardim Botânico. É o Teatro Tom Jobim. A arquitetura foi pensada para aproveitar a brisa do jardim e a energia solar, o que ajuda na economia ao aquecer a água e refrescar o ambiente.

O teatro também tem paredes verdes mais modestas, mas não menos lindas. A revista IstoÉ publicou uma matéria bem interessante sobre a obra. Entre outras coisas, a gente descobre que a construção teve “tratamento acústico especial para não incomodar os vizinhos de penas, plumas e pêlos que vivem na mata”. Você pode ler ela, completa, aqui.

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Estes são apenas dois exemplos de como o paisagismo bem pensado pode transformar um ambiente, mesmo em centros urbanos como o Rio e São Paulo.